De vez em quando tem essas coisas, batuquei hoje a jovita toda até em casa num tambor de garrafão d'água vazio - e era mesmo. Toquei uns cocos corridos, sambinha e baião sambado, na invenção. Pensei se não seria suficiente pra voltar a postar aqui, tosco como deveria ser o contrário, pois tem tido batucadas boas como a do ensaio de ontem - e hoje tem cedinho.
Cocos do Norte ensaiando pra Sobral, com um parzinho de conga, boa captação pros graves do jorjão e amizades em torno. Acho que pegamos "a pegada" das mais interessantes ontem.
O coco de duas congas brinca um pouco como a punga do tambor de criola, de fato... a conga grave desce, até por que o coco tem sua punga também, que dirá umbigada. É o elemento 'chão' do batuque, da brincadeira, é quando agente desce lá em baixo já sabendo como vai ser pra subir de novo. A punga é quem dá a verdadeira malemolência pro corpo... e externamos sempre nos detalhes, nas feições, nos papéis e interações. Sem ela, o corrido (que não necessariamente é pelo tempo) vira êxtase físico que vem da repetição e doses de endorfina (cada um curte o que bem entende! ;)
Por isso o papel fundamental do grave, do rufador, onça, tambor grande, rum, ian, dumbek e sei lá outros é mais pancada no que diz respeito a frase que o tocador faz. Ressaltando que 'pancada' aqui em fortaleza tá ligado a responsabilidade do que a lapada (pe) de fato. A frase involve a punga mas não é necessariamente ela ou a tem como ponto início ou fim. Perceba nos batuques de terreiros mais antigos e brincadeiras de descendência os mais antigos tem a preferência para os graves... eles já consolidaram os seus fraseados e passaram do ponto de diminuir as ansiedades.
As congas do coco brincam com o ar também. Importante trabalhar com o movimento de braço de uma pela pra a outra... medir esse tempo e daí poder atrazar ou adiantar. Essa é minha dica pro processo. Segunda fase do jogo é poder se desvincular um pouco da mão esquerda do grave (preferência minha). Olhe que geralmente é mesmo a mão direita quem bate no grave a punga, estamos viciados na direita (até como destros quem somos). Essa prática de dar foco como liberdade pra esquerda significa também agregar conceitos rítmicos que até então podemos não ter nem concebidos. A desvinculação da mão esquerda mesmo toncando uma única pele, já faz é como se agregasse novas possibilidades de fraseado.
Punga bem batida significa uma coisa, entre todas, que a é mais importante. Coreiras enturmadas com o batuque. É pra isso que vivemos, nós batuqueiros, esse é nosso combustível. Voltando ao coco, a punga dele não trabalha tanto na interação com quem dança como no tambor de criola, ele é mais solto, permite o uso do ritmo pra brincar sozinho ou acompanhado ignorando o tocador (isso feio né?). A quebrada dele pode ser dada começando e voltando pro grave. Sua frase é feito ouví dizer que é o blus, começa e termina em mi (acho,rs).
Meto outro conceito agora pra assimilarmos no coco e em ritmos de botar gente pra dançar... que é o preenchimento de mão. O preenchimento de mão deixa o ritmo mais consistente, ideal pra batuques com poucos couros, e ainda o deixa sim mais dinâmico. Ele se usa mesmo da ansiedade. Por dobrar a quantidade de batidas aumentamos o tamanho do fraseado e por isso a sua copmlexidade de possibilidades. A mazurka faz isso muito bem. Aliás, mazurka é jazz puro !!!
Mas aí já é coco de um couro só e depois posso falar dele.
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